segunda-feira, 6 de junho de 2011

ENTREVISTA WELLINGTON DUARTE SOBRE ADURN VERSOS SINDICATO


No próximo dia 16 de junho, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte realiza Assembléia Geral para convalidar a decisão da categoria em transformar a entidade em Sindicato. A Assessoria de Comunicação da ADURN conversou com o diretor de Política Sindical, Wellington Duarte, sobre o significado de se constituir um Sindicato Local e a Federação.
Para Wellington, desde de 2004, a ADURN tem se aproximado do PROIFES e participado, juntamente com outras AD’s, na construção de uma federação nacional propondo aos associados a transformação da entidade em um sindicato local autônomo. Ele considera que o atual sindicato que representa as ADs no âmbito nacional, o ANDES, é uma estrutura que está superada pela sua gigantesca burocratização e distanciamento das questões concretas e cotidianas da universidade. Confira a entrevista.
ADURN- O que significa a transformação da ADURN em Sindicato?
Wellington Duarte – Significa, num primeiro momento, você participar de um processo que vem sendo desenvolvido em todo o país, que é a reorganização do Movimento Docente. Mas, sobretudo, uma virada na nossa página. Com a transformação da ADURN em Sindicato, nós estaremos simplesmente nos adequando à legislação da organização sindical brasileira vigente, onde a célula é o sindicato, e se tem a Federação e a Confederação.
ADURN- Por que ADURN-Sindicato?
Wellington Duarte – A diretoria acredita que o ADURN-Sindicato terá mais mobilidade, e será mais democrático. Estamos criando a instância do Conselho Fiscal, que não existia, estabelecemos o plebiscito como instância deliberativa, que não existia, e ele atinge toda a categoria, além de ficar mais fácil a instalação de convênios com diversas entidades e empresas da sociedade potiguar, visando facilitar o acesso do professor a bens de consumo.
Por outro lado, você terá um Sindicato de natureza legal que poderá agir de forma coletiva nos processos dos professores, em nome dos sindicalizados da ADURN.
ADURN- Como a categoria está se mobilizando para efetivação do Sindicato?
Wellington Duarte – Desde 2004, a Diretoria da ADURN começou a participar, num primeiro momento, na reorganização do Movimento Docente a nível nacional, apoiando o PROIFES, e se integrando nele, e a partir de 2010, quando realizamos Assembleia Geral, que nos autorizou a realizar um plebiscito.
Neste plebiscito foi decidido pela categoria a desfiliação do ANDES e a criação do ADURN-Sindicato. Isto foi referendado na Assembléia Geral de julho de 2010 por mais de 90% da categoria presente.
Portanto, a categoria, que já disse sim ao ADURN-Sindicato, tem sido receptiva, tem nos apoiado nesta empreitada, e temos a certeza de que é um movimento irreversível e a categoria já percebeu isto.

ADURN- E em que se constitui o Novo Movimento Docente?
Wellington Duarte – O Novo Movimento Docente é fundamentalmente a democratização da organização sindical que nós temos. Até 2004, a única instância de representação para todos os professores do Ensino Superior brasileiro era o ANDES. Mas o seu fechamento político, a sua ortodoxia, o seu radicalismo, o aparelhamento feito pelo PSTU e PSOL, fez com que o ANDES se afastasse da categoria e passasse a ter novas perspectivas como a construção da CONLUTAS e a instalação de uma revolução socialista no Brasil, uma proposta descabida dentro de uma organização sindical. Além disso, foram fechados os canais de participação pela via democrática. Você não tinha como participar do processo eleitoral do ANDES. Então um grupo, chamado de ANDES-Sim decidiu sair do ANDES e propor um Novo Movimento Docente, que foi o PROIFES.
Hoje, o PROIFES-Fórum agrega as maiores ADs do Brasil e tem o apoio de várias diretorias. Tornou-se um movimento nacional respeitado e hoje é a única entidade do movimento docente universitário que tem assento para discutir o plano Nacional de Educação.
Portanto, o Novo Movimento Docente está sendo construído a partir das regras democráticas, plurais, que respeita a divergência, e, acima de tudo, sob a forma federativa, que é a forma mais democrática de organização dos sindicatos. Esta é a essência do nosso Movimento, mudar de um sindicato centralizado, nacional, que se pretende representar todos os professores universitários do país, não importando se é federal, estadual ou municipal, para uma Federação nacional dos professores, que represente as Instituições Federais de Ensino Superior, respeitando as nossas especificidades.
ADURN- O que representa a Federação para as Associações e sindicatos constituídos?
Wellington Duarte – A Federação representa, assim, o respeito à soberania e a independência do Sindicato. A ADURN é que vai, dentro da sua organização interna, definir como é que vai discutir as políticas de educação. As orientações da federação não necessariamente deverão ser seguidas pela ADURN, teremos a liberdade de decidir nossos rumos. Iremos ajudar a Federação nos debates nacionais, levando as nossas opiniões que serão debatidas democraticamente, coisa que não existia. A direção nacional decidia, encaminhava às secções sindicais e cabia às secções sindicais implementar a decisão da direção nacional. Em uma Federação, esta situação se inverte, são os sindicatos que vão decidir, levando para a direção nacional.
Aqui na Universidade Federal do Rio Grande do Norte este processo é irreversível, os professores estão decididos a mudar e não é uma filigrana jurídica que vai impedir que 98% da categoria que já disse sim ao ADURN-Sindicato consolide este processo. Convidamos, então, os professores a participarem da Assembléia no próximo dia 16 de junho, impreterivelmente às 9h30min, no auditório da Escola de Enfermagem. Sim, por uma ADURN Livre e Soberana.
MAIORES DETALHES: www.calangotango.blogspot.com
Sávio Hacrackt