domingo, 21 de agosto de 2011

A EXPRESSÃO POÉTICA DE DAUFEN BACH.




impudicos

ao teu ouvido,
antes de obedecer apenas aos teus pedidos.

o desejo queima mesmo os corações mais castos. é a beleza mais antiga, o
sentido mais primitivo,
o animal a contorcer-se nas fímbrias do pensamento
no tenso debate entre a liberdade consciente do sentir, e o poder aprisionado do realizar. esse consumir-se em subjetividades,
esse delicioso pecado,
esse fazer que tornam unos, o profano e o sagrado. que traz para minha pele e para os meus pelos a voracidade de bicho e a
virilidade tacanha do insaciável, banhada nas sensações mais humanas do
sentir, numa luta em te fazer mulher santificada a gemer gozo no bico dos seios arrepiados.

assim te vejo, pura poesia... dama na noite, a estrela guia que toma o céu e ignora os faróis, uma antagonia que me despe do homem perdido em teus lençóis e me faz o animal que te sacia... depois amanhece, com olhos de criança.



[impudico_1]

te arrastas nua pelos lençóis. a conjunção perfeita da luz com o tecido
prendido entre tuas pernas acende a faísca. move-se.

(tua trama está em acender em meus olhos o desejo que me consome
e o instinto, o animal instinto de estar prendido entre tuas coxas
a sentir o teu calor e a tua bondade oferecida.
me sacias enquanto faço-me escravo das vontades que segredas).

serpenteias.
insinua-te.
deita sobre meus braços e beija-me o peito. a tua boca tem o calor exato,
a mornidade que queima sem ferir, a umidade que arrepia sem molhar...
a tua boca é vívida lascívia, aconchego, ternura... é piedosa. (...)