segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A VOZ POÉTICA DE GENI MILANEZ EM HOMENAGEM A TERRA QUE A VIU NASCER E CRESCER - CERRO CORÁ/RN

CERRO CORÁ MEU POEMA

(Ode)

Por estar longe de ti
Minha cidade querida
Conservo-te na lembrança
Jamais serás esquecida
És dona de encantos mil
Recanto do meu Brasil
Reservado para mim
Por isso é que te venero
Enaltecida te quero
Pois te amo tanto assim.

O teu belo panorama
Faz-te “Princesa da Serra”
Não és ainda metrópole
Porém és a minha terra
Teus montes são teus altares
Presentes nos meus cismares
Dos teus poetas, que glória!
Tu és o berço dourado
Jardim de inverno encantado
Sou filha da tua história.

Ergue-te bem graciosa
Simples, porém soberana
Embelezando a airosa
Cordilheira de Santana
E eu aqui todo dia
No cheiro da maresia
Desejo pra ti voltar
Mesmo estando distante
Lembrar teu clima é constante
Contigo vivo a sonhar

Saudades da minha infância
Da casinha da colina
E da fonte cristalina
Olho d’água em abundância
Dos coqueiros verdejantes
Dos canários saltitantes
Que nas árvores trinavam
Lembro as flores que colhia
Dos campos em que corria
Onde meus pés alcançavam.

Na aridez desta serra
No silêncio dos pedregais
No leito do rio seco
Na sombra dos matagais
Ali o jaguar dormia
Quando ainda vivia
Na loca de algum rochedo
Nas descidas do abismo
Sem novidade ou modismo
A grota esconde o segredo.

Do alto dos teus penhascos
Que emolduram a paisagem
Vem a voz da Poesia
Inspirando-nos Corágem
No lazer ou no trabalho
No frio és agasalho
Dos que zelam tua imagem
Sentindo em cujo rosto
Da madrugada ao sol posto
O beijo da tua aragem.

O exemplo destemido
Dos nossos antepassados
Desde o caçador da onça
Aos vaqueiros afamados
Todos têm o seu valor
Nos versos do cantador
E nas rodas de conversa
Seus herois não têm defeito
São citados com respeito
Não tem memória dispersa.

Lembro-me da professora
Bondosa dona Iracema
Quero imortalizá-la
Neste modesto poema
Pois plantou boa semente
Na vida de muita gente
Talvez ninguém lembre dela
Mas a alma de poeta
Sensível e irrequieta
Guardou a lição mais bela.

Hoje está abandonada
A minha primeira escola
Em que aprendi a ler
Ao som de linda viola
Isto até que me consola
Porque já vem de nascença
Pra fazer a diferença
Na transformação da mente
Se não for inconseqüente
Meus versos fazem presença.

Entre cerros altanados
Surgiste ó “Filha da Luz”
Oásis da zona ardente
Que seus lampejos conduz
Aos anseios mais sagrados
Nos teus passos ritmados
Que não constitui dilema
Em busca do teu futuro
Não há propósito obscuro
Cerro Corá – Meu Poema.

Natal, 09/12/1999

“Cerro Corá... Cerro Corá... Quantas reminiscências me vêm ao pensar em ti”.


GENI MILANEZ É IMORTAL DA ACADEMIA NORTE-RIOGRANDENSE DE LITERATURA DE CORDEL, CUJO PATRONO É O NOSSO PAI O INESQUECIVEL JOSÉ MILANEZ.