domingo, 20 de maio de 2012

AS ARTES DO PEDRO ORNELLAS - POETA BRASILEIRO

1
“Quanto me ama?” ela pede...
e eu digo: “Não sei, querida...
nunca vi como se mede
amor que não tem medida!”

2
Vendo a cena me emociono
ante a expressão de alegria
do cão faminto e sem dono
que o mendigo acaricia!

3
Hoje voltas, volta ingrata,
depois que o tempo passou...
como volta alguém que mata
pra confirmar que matou!

4
Pilatos se omite... irada
a multidão sentencia!
e esta verdade é provada:
também erra a maioria!

5
Não veio a chuva, e de mágua
curva-se a fronte abatida...
Na cacimba não tem água...
Na mesa não tem comida!

6
Na pracinha o juramento
feito por duas crianças...
A lembrança de um momento
num momento de lembranças!

7
Mãos cheias de ouro e vaidade
sustentam prazeres vãos...
São felizes de verdade
mãos que se enchem de outras mãos!

8
Receio do mundo... medo...
no hospital, recém-nascida,
ela segurou o meu dedo
e o prendeu por toda a vida!

9
No peito em que a entrada é franca
tudo que é bom tem lugar..
mas coração que se tranca
nem mesmo Deus pode entrar!

10
Dá pra saber bem ligeiro
quem é quem nessa disputa;
o tolo fala primeiro
e o sábio, primeiro escuta!
 
Pedro Ornellas
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"Amigo que foi, não era" (Pedro Ornellas)