terça-feira, 3 de julho de 2012

A VOZ POÉTICA DE CIRO JOSÉ TAVARES - BRASILIA/DF


            CASA DOS MEDOS E SAUDADES
                                             

            Através dos arcos destruídos e largos vãos, a casa
             ou suas sombras, ao sol e ao tempo,  eu via derramadas.
            Metia medo a casa envelhecida debaixo dos poentes
            e eu  tinha medo dos vazios habitantes,
             ausências que permeavam espaços sem ninguém.
            Até medo do vento, zunindo e golpeando tudo fechado.
            Temia que viesse da mansarda inexistente
            o  fantasma que restou perdido no abandono
            para conduzir-me ao profundo recanto  da saudade,
            onde saudade eu nasceria e morreria todos os dias.