sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A VOZ POÉTICA DO CIRO JOSÉ TAVARES - BRASILIA/DF


  • Ceará- Mirim despertará hoje, dia 08, ouvindo os sinos e sua brava gente celebra a Santa Padroeira, Nossa Senhora da onceição. Isolo-me aqui, no Planalto Central, e rezo pelos meus confrades da ACLA, principalmente pelo Pedro Simões e lembro os meus antepassados.


    “Toda agonia que a saudade encerra

    eu vejo percorrendo a terra

    e então o pranto vem banhar-me o rosto”

    Adelle de Oliveira, in Ao Crepúsculo


    Uma relva desordenada ocupava o espaço,

    entre a linha do trem, ao longo da Rua Grande,

    e a escadaria de acesso à Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

    Cedo, janelas abertas, interiores da humilde casa das avós

    recebiam sobras do frescor das madrugadas,

    brisa suave e fria, agitava as varandas das redes

    despertando meninos que se descobriam dos cálidos lençóis.

    Virgo, a fiandeira da lua, preparava a refeição espartana da manhã

    enquanto no quintal, numa bacia de ágata conservada

    água tépida, alvas toalhas afastavam do rosto marcas de noites escondidas.

    Os caminhos das avós, percorridos para encontrar Cristo na missa da aurora

    foram pelas mãos de Deus arrebatados,

    também legiões de soldados de chumbo, bigas de combate,

    roupas molhadas do orvalho residual estirado sobre a grama,

    despedidas sonoras de pássaros ao entardecer,

    lavadas claridades de lâmpadas nos postes,

    estrelas cadentes riscando o céu escampo,

    velas votivas acesas ao São José no oratório,

    sonhos decompondo eternos dias nas lembranças.


    Ciro josé in Ode dos Caminhos e Visões Intermináveis.