segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A VOZ POÉTICA DE PEDRO SIMÕES - PRESIDENTE DA ACADEMIA CEARÁ-MIRINENSE DE LETRAS E ARTES/ACLA - CEARÁ MIRIM/RN

 
ANTES DO DEPOIS

Compreendi que teus silêncios
eram fraseados reticentes
tão pálidos como a tua pele,
lacrimejavam e imploravam
olhos nos olhos, colo e cama
em desassossegado sossego.
Dei-te. E te deixastes sozinha
na tarde gris sabendo a chuva
ácida, numa meia-estação.
Havia uma leve insinuação
de violinos e um suave
timbre argentino, feminino.
Embora maio não se findasse
surpreendeu-me as violetas
que deixastes como fossem rastros
demarcando territórios e
os impossíveis infinitos de
tua busca, sem norte e sem
prumo, bússola despetalada.
Fostes. Fiquei desplantado pela
raiz, insepulto filisteu, eu
menos que um homem, um vegetal
que será húmus e sementeira
de improváveis semeaduras.

Natal, finalzinho da tarde chuvosa do sábado, 14 de maio de 2011.