sexta-feira, 10 de maio de 2013

A VOZ LITERARIA DO ESCRITOR CIRO JOSE TAVARES - BRASILIA/DF



UMA FAMÍLIA CHAMADA RIBEIRA II

Sim, é o meu espírito que agora caminha pela Ribeira, levado pelas mãos das lembranças e orientado pelos passos da saudade. Aqui ficava a tatajuba, símbolo do bairro, vigiando as ladeiras e as Rocas, recebendo a brisa morna do Rio Potengi. Era sob a larga e generosa sombra da árvore encantadora que os meninos faziam ponto para discutir as brincadeiras, planejar as aventuras, rir, contar e lamentar o que lhes era proibido e até a indiferença das moças desejadas, que, na missa da manhã, negaram-lhes um mísero olhar de compaixão. Foi o meu tio Cyro, o poeta que a Ribeira não conheceu quem ensinou os caminhos da tatajuba ao irmão José e aos seus íntimos amigos da família Farache: Vicente, Carlos e Antônio, também a Joaquim Noronha e a Adriano Rocha. A herança perdurou até o grupo desfazer-se, quando, maiores, outros caminhos foram descobertos. A tatajuba desaparecida sempre vem à minha memória quando ouço a ária Ombra Mai Fu, da ópera Xerxes, de Handel.
Cyro, a quem o mestre Câmara Cascudo dedicou uma Ata Diurna, no Jornal A República, era paraibano de Bananeiras. Viajara para o Rio de Janeiro para estudar Direito e exercer o jornalismo que era uma de suas paixões. A tuberculose destruiu-lhe os sonhos e um futuro brilhante. Voltou para Natal e morreu esquecido na Ribeira, a mesma Ribeira que hoje está esquecida e abandonada.