sábado, 6 de julho de 2013

A VOZ POÉTICA DO CIRO JOSÉ TAVARES - BRASILIA/DF

Sábado é dia de poesia. 
Aproveito para voltar no tempo e andar, na companhia dos meus fantasmas pelas sombras de Ceará-Mirim.

Amanhã, rua da minha infância, estaremos
corpo e sangue à poeira do tempo amalgamados,
absorvidos na tristeza da luz crepuscular.
Criança, sobre o irregular piso das calçadas,
Corri ao horizonte invadido de poentes
e apenas fugitivas buscas alcancei.
Amanhã, rua, se um dia regressarmos,
teu humilde casario resplandecerá
sob ocasos permanentes fixados
nos aureolados fios de prata das estrelas,
seccionados da pureza dos mantos de santas estáticas.
Nas vésperas andarei no teu silêncio
clareado pelas velas dos oratórios ancestrais.
Nas noites vigiarei o sono dos avós
até que pássaros, arautos das auroras,
venham vigiar meus passos interrompendo sonhos.

Ciro José, in Caminhos da Rua Grande.