sábado, 31 de agosto de 2013

A VOZ POÉTICA DE SALIZETE FREIRE SOARES - NATA/RN

 
 
 
Quando desci das copas
Dos arbustos, fui as tocas,
Tomei um grande susto.
Corri com lobos veloz a todo custo.
Desci o himalaia fui voraz
Aprendi a cruzar com animais.
Fui mais além do que a vida manda
Com Chrisna aprendi a dizer mantra.
Meditei com Sidarta, usei manta.
Mergulhei no Ganges, e nas falanges .
Fui Índia, inca, sei fui pataxó.
Comi brócolis, fui nômade
Em bando, nunca andei só.
Estive no Egito, mumifiquei
O mais antigo faraó.
Ouvi os sofismas em Atenas
Fui dama, fui galena, mil Helenas.
Em Troia guerrilheiro, fui rival
Na vingança do cavalo de pau,
Rendi homens de forma crucial.
Mais foi na Galileia em rastros e luz.
Comendo mel silvestre e ramos crus
No sermão da montanha eu vi Jesus,
Ouvi suas verdades a olhos nus
Mas dei-lhe em calvário a dura Cruz.
Na minha sina
Andei na Palestina,
Fiz muitas rotas, desci vários penhascos,
Topei com Paulo
Na estrada de Damasco.
Perdi o rumo, perdi toda visão.
Só despertei nos braços
Dos cristãos.
Envergonhado da perseguição,
Ante o fenômeno da ressurreição,
Caí por terra, implorei Perdão.
Mas frente hoje a Latina América,
Prego fascínio, ao horror da guerra,
Acho mais que direto, ser normal,
Honrar o homem pelo capital
Escravizá-lo em sua “ mais valia”
Na utopia da economia,
Defender um regime imperial.
Onde o dinheiro, é cada vã tostão,
Engrandecido aos que têm a mão,
O suor extorquido do irmão.
Compra-se mal ao que não se precisa
Num sistema desigual, capitalista
Que me faz esquecer a era crística,
E novamente, negar que sou Cristão.

Salizete Freire Soares