sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O DEBATE POLÍTICO NAS REDES SOCIAIS



 Geraldo de Margela
   

    Circula nas Redes Sociais uma série postagem que se configura como pura propaganda contra o Brasil e os brasileiros. Contra nossa cultura e a favor de uma cultura alienígena, no caso, a Norte-americana, considerada por parcela de nossa elite como superior. As pessoas que consideram as agressões contidas nesses textos como verdadeiras podem ser classificadas como servos voluntários. É como denomina o pensador francês Étienne de La Boetie, em livro clássico: A Servidão Voluntária.
    Vejamos: Um determinado texto sem identificação. Não se sabe quem escreveu. Simplesmente se posta na Rede um amontoados de impropérios contra o Brasil e os brasileiros. Nele, deseja-se comparar o nosso modo de vida ao modo de vida Norte-americano. Pueril comparação, nunca será igual. Temos uma formação político, cultural e social diferente, uma história de vida peculiar. Aceitar o que está expresso nesses textos significa asseverar que somos inferiores. Marcel Mauss, antropólogo francês afirma que não há cultura superior ou inferior, que há culturas diferentes. Assim, somos simplesmente diferentes, de outras culturas, mundo afora.
    Quase todas essas postagem de oposição ao Brasil e o seu povo tem um objetivo: afirmar que aqui nada presta, as instituições não funcionam, as pessoas são corruptas, o governo não governa, nosso povo não é civilizado. Aceitar isto é ser o que La Boetie chama de servo voluntário. Não, não comungo com impropérios contra os brasileiros, a nossa cultura e maneira de viver.
    Essas postagens têm igualmente um objetivo político: contestar a reeleição dos nossos dirigentes. "Reeleger as mesmas pessoas" afirma. Constitui uma propaganda subliminar contra os governantes que estão no poder. Legítimo para quem se posiciona contra nosso governo. Eu não, que apoio a política implementada no Brasil nos últimos 10 anos. Só retirar 40 milhos de brasileiros da miséria nos credencia como um projeto político aceito pela maioria do nosso povo e aplaudido pelo mundo.
    E mais, propagam uma série de preconceito contra os brasileiros: Que somos preguiçosos, não sabemos ouvir, chegamos sempre atrasados... Brasileiros só tem cerveja péssima e as importadas são caras. Os alimentos sem graça, repetitivo e inconveniente. O ar é quente como um inferno, e não há ar condicionado. Que o brasileiro é sociável. A cultura dele endeusa o individualismo. Que amamos a nossa família e isso atrapalha o casamento. A internet e a energia são caras. E não, são exploradas por eles? Quem pensa assim, nunca foi aos Camarões, não pegou uma boa praia em Ponta Negra, em Natal, não conhece as nossas famílias.
    Além de condenar o Estado brasileiro como indutor do desenvolvimento e fomentador da distribuição da riqueza afirma que temos excesso de burocracia e pagamos muito imposto. Aqui está definido o velho ideário dos adeptos do neoliberalismo, modelo de desenvolvimento que acabou de deixar 13 milhões de desempregados na Europa, semeando a pobreza e a miséria.

    Esse pensamento estilado pela matriz, como receituário para a colônia, já vimos no que deu no Brasil na década de 90 do século passado. Ele é igualzinho ao que propõe uma parcela da nossa elite, que não gosta do Brasil e dos brasileiros. E repetem o que eles propagam, ou seja, que não temos futuro. Não concordo. Não é verdade. Estamos construindo um novo Brasil.