segunda-feira, 5 de maio de 2014

PRONUNCIAMENTO DO ESCRITOR CIRO JOSÉ TAVARES NA REUNIÃO FESTIVA DA ACLA/RN



Pronunciamento feito na reunião da Academia Cearamirinense de Letras e Artes/ACLA, em Ceará - Mirim, noite de 30 de abril de 2014.
A QUINTA DOS PIRILAMPOS


Ciro José Tavares.

Confesso minha paixão pelo mitológico, a imensa atração pelo reino da magia, meu fascínio pela Rainha Mab, a senhora das fadas. Com frequência meu texto poético mergulha nos mistérios das divindades gregas e, vez por outra, visita Camelot para conversar com Arthur da Bretanha, saber de Galahad, de Lancelot Du Lac e Guenevere.
É com este espírito invadido de sonhos com que venho saudar A Quinta dos Pirilampos, do meu fraterno e inesquecível amigo Pedro Simões. Um longo e Um magnífico poema em prosa para ser lido e relido por pessoas sensíveis de todas as idades.
Gosto de guardar as proporções quando comparo autores e seus escritos. Perdoem-me se eu afirmar que no A quinta dos Pirilampos, Pedro é um legítimo herdeiro dos contos de Oscar Wilde, do Rouxinol e a Rosa, do Aniversário da Princesa Infanta, do Gigante Egoísta, do Príncipe Feliz. Assim como os personagens do escritor inglês as criaturas de Pedro Simões integram ficção e realidade, como se nós estivéssemos diante de movimentada pintura surrealista e embevecidos por alguns trechos lágrimas chegam aos nossos olhos.
Não quero lhes tirar o sabor da leitura, que se identifiquem com a pureza do ambiente, conheçam e conversem com seus habitantes, saibam de Biro, de Zé Pretinho, da Comadre Bastinha e sentados à margem do riacho Teimoso, desafiante de invernos e estios, gastem todo um dia na companhia do Chico Lagartixa, o tipo da minha preferência, de quem sentirão saudades ao fechar as páginas do livro.
Há 70 anos o mundo da literatura aplaudia a edição de O Pequeno Príncipe, de Exupéry. E hoje, por feliz coincidência, familiares e a Academia Cearamirinense de Letras e Artes Pedro Simões Neto traz a público a Quinta dos Pirilampos, que o autor não pode lançar porque chamado à presença do Pai do Tempo. Agora, Pedro, que caminhas nas quintas do universo, na Campânia de Esmeralda e Percílio, melhores e maiores personagens que reencontraste, aqui estamos honrando tua obra que julgamos imorredoura.
E sempre que nos reunimos há sempre uma cadeira ocupada por teu espírito imbatível. E sempre que voltamos à cidade que te viu crescer e que tanto amaste é sempre um retorno amargo que nos faz chorar.

REGRESSOS
.
A cada regresso eu envelheço de saudades,
a cada regresso navegam-me fantasmas
dos escombros dos engenhos naufragados.
A cada regresso o doce aroma do melaço
parece ter sido levado pelo vento de uma vez.
A cada regresso sou criança renascendo nas lembranças
para ver cidade amada extinta tua chama..
A cada regresso ausências e a dor de não ouvir
a melodiosa voz do antepassado e nunca mais
sentir a luz dos olhos cheios de ternura.
A cada regresso, enfim, compreender
que bruxuleantes e entregues um ao outro,
envelhecidos morreremos de saudades.