quinta-feira, 19 de junho de 2014

A VOZ POÉTICA DO CIRO JOSÉ TAVARES - BRASILIA/DF

ODE BRANDEMBURGO

Ciro José Tavares.

São os teus mágicos portais, senhora de Brandemburgo,
que me convidam  atravessá-los e a ficar  preso no coração.
A tibieza dos passos indica o temor de avançar ao teu encontro.
No interior do templo de Diana, comandas sentimentos.
Estás submersa nos mistérios e neles pressinto
os goles trágicos da dor e da saudade quando derramas
tuas madeixas de ouro sobre o frio  mármore dos altares.
Queres que seja eu cativo dos teus alvos braços alongados,
a ave apaixonada suspensa na fragilidade dos teus dedos.
Deixa-me refletir, senhora de Brandemburgo, se devo cruzá-los
antes que eu saiba se o tempo esgotou o resto de minh´alma
e que fiquem abertos até que como aurora eu amanheça em ti.
O que sabes de mim? Dos sonhos, do passado, das andanças?
Muito pouco ou quase nada. Venho das lendas de Camelot,
onde é sempre primavera, o sol brilha forte e não se põe.
Recebi asas de Mab para voar aos castelos do Moselle e do Loire.
Nas margens do Reno cavalguei Grani e desafiei os nibelungos.
Ouvi o tropel dos cavalos das Valquírias, sepultei Siegfried, beijei
as louras melenas de Brunilde e vi o crepúsculo dos deuses.
Chorei toda uma tarde pelas mortes de Isolda e de Tristão.
Atraído por paixão inesperada abandonei a bela Guenevere
e como Tanhäuser o Santo Pontífice jamais me perdoou.
Hoje, Senhora de Brandemburgo, diante de ti venho fatigado
revelar todos os  erros e derrotas na impaciência das noites.
Abre os mágicos portais, quero lavar-me na pureza do teu corpo,
Sem medos de ser definitivo na distância, na dor e na saudade.