quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A VOZ POÉTICA DO CIRO JOSÉ TAVARES - BRASILIA - DF



MARANATA *




Porque são irrevelados nossos amanhãs,
atemorizam-me os dias fechando os anos.
Gostaria que inexistissem, mas impossível.
Hoje faço a travessia numa caverna sem luz dos Apalaches.
Ouço palavras do silêncio, sinto os dedos suaves do vento no meu rosto,
vento que nada sei do nascimento e de onde está chegando,
se dos Andes, dos Urais, do Himalaia, das areias ardentes do Saara.
Encontra-me submerso nos dezembros do passado do Ceará – Mirim,
Olhos no verde do canavial, no azul do manto da Virgem Maria.
Encontra-me afundado nas lembranças das novenas,
quermesses animadas, humildes diversões,
jovens encantadoras, vestidos longos, rendilhados,
feitiços da amada Ariadne parecendo raios louros do luar.
E quando a luz sumia deitando a cidade na total escuridão,
era a fosforescência estelar que orientava meus caminhos.
No regresso à Rua Grande via fluir claros de velas e lampiões ainda acesos.
Regressava, como no poema à caverna sem luz dos Apalaches para,no meio de ventos e silêncios, repetir  um canto  em aramaico interminável:
Maranata, Maranata...

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*Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 16, versículo 22.