segunda-feira, 18 de julho de 2016

O ADEUS A BARONESA DE CEARÁ MIRIM – LUCIA HELENA PEREIRA



          



           Um dia num sarau da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins – SPVA, ela apareceu na minha frente e falou: Oi como vai? E com seu jeito direto e peculiar de ser foi dizendo, então você e Geralda Efigênia, ouço muito falar sobre você, eu respondi que bom, e brincando fui dizendo... Falam de bem ou de mal? Ela riu... Ai perguntei: mas quem é você? Ela olhou pra mim olho no olho e falou sou Lucia Helena Pereira, a poetisa das flores, eu sou escritora, neta de Madalena Antunes, não tenho papa na língua. Caímos na risada as duas. Achei interessante o modo de ela falar... O tempo passou... Lucia Helena e eu nos tornamos amigas.
            Encontrávamos-nos saraus da SPVA, do Conselho Regional de Odontologia, foi uma das pessoas que mais me apoiou quando Presidente da SPVA, sempre ligava para conversar, e como conversava minha amiga, falava dos filhos dela, do amor pelo neto, de Abel que é professor como eu, e que não o conheço pessoalmente, mas o conheço pelos olhos da mãe. Do amor pela vovó Madalena, que ela fazia questão de citar o nome dela em todas as suas conversas, dos poetas, de Dudu (Eduardo Gosson).
            Minha Gê era assim, que ela me chamava e, que me enchia de palavras cheias de afeto, me elogiava pelo amor que ela dizia que eu sentia pela educação, e que a mesma admirava por eu não mencionar que sentia sequer cansaço.
           E como eu a admirava, e sentia que a mesma também gostava de mim, me pegou pela mão e me apresentou a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, indicando meu nome para compor essa instituição que hoje faço parte, também da diretoria. Ela queria que eu fosse vista no meio literário e me apresentava com elevado orgulho, hoje tenho meu nome no dicionário de mulheres do Brasil, graças a ela, a poetisa das flores.
          Lucia Helena, amiga de cada uma das pessoas que ela escolhia para compartilhar com ela seus momentos de alegria ou tristeza, exemplo disso posso citar as pessoas que ela falava com orgulho por serem suas amigas, a exemplo de Menga, não a conheço pessoalmente, mas essa era uma pessoa que ela muito estimava, sempre nas nossas conversas ela citava esse nome, Ceição Maciel pessoa que ela admirava Flauzineide, Zelma, Ceicinha e tantas outras.
           Enfim, o meu tempo sempre curto, não me sobrava tempo para visita-la, mas a noite sempre recebia suas ligações, e sempre falando das pernas cansadas, de seus sonhos. O amor pela terra que nasceu o vale verde, Ceará Mirim bela, essa afeição por Ceará Mirim me impulsionou a chama-la de baronesa, a baronesa de Ceará Mirim.
         Mas a vida prega peças, e hoje tomei um susto ao saber que a baronesa emudeceu que partiu rodeada de flores para o encontro com Cristo na gloria, não tivemos tempo para despedidas, à morte é assim, chega sem avisar sem dar tempo de despedidas, e mais, eu ocupada demais no que ela dizia que admirava, o meu fazer na educação.
Senti o meu coração pesado ao receber a noticia da sua partida. A baronesa ainda era muito jovem, por isso acho que sua partida para o céu foi prematura demais, o corpo tremeu e por um momento não acreditei na noticia que havia recebido, passei o dia reflexiva, Estou de luto, embora saiba que poeta não morre. A baronesa partiu, foi fazer companhia à querida Anna Maria Cascudo, pessoa que ela nutria bastante admiração e que por meio dela passei a admirar também, creio que nessa hora estão à baronesa e Anna Cascudo a conversarem sobre a UBE, a Academia de Letras, ou então, uma declamando poesia para a outra, A minha baronesa tornou-se uma estrelinha imortal nos corações dos que a amavam, dos seus amigos dos seus anônimos que ela sentia prazer em ajudar.
           Adeus Lucia Helena Pereira a baronesa de Ceará Mirim, a LH, a poetisa das flores.