segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SONETOS BRASILEIROS MAIS FAMOSOS

O Brasil pode orgulhar-se de possuir uma plêiade de poetas maravilhosos e famosos.

Muitos destes poetas se projetaram no cenário poético mundial,
muitas das suas poesias são traduzidas e lidas pelo mundo afora.

Alguns dos sonetos e poemas brasileiros que mereceram numerosas traduções
para línguas estrangeiras, são:
"Círculo Vicioso", de Machado de Assis; "As pombas" e "Mal Secreto", de Raimundo Correia;
"Ouvir estrelas" e "Virgens Mortas", de Olavo Bilac; "Essa Nega Fulô",
de Jorge de Lima; são alguns dos sonetos e poemas brasileiros que mereceram
numerosas traduções para línguas estrangeiras.

Entretanto, os sonetos “Prova Infalível”, do Pe. Manuel Albuquerque, e “Apelo”,
de Eno Theodoro Wanke, são casos excepcionais,
pois contam com número imensamente maior de traduções,
inclusive para línguas e dialetos de quase todo o mundo.

PROVA INFALÍVEL

O soneto foi composto em 4 de março de 1949, na cidade portuguesa de Braga, onde o autor,
Pe. Manuel Albuquerque (1906-1977), da Congregação do Espírito Santo, residiu por alguns anos.

E foi publicado em livro, pela primeira vez, em “Maria, Minha Poesia”
(sonetos Mariais), do autor, no Natal de 1949.

Daí por diante, passou a ser reproduzido em jornais e revistas de Portugal e do Brasil.
A primeira tradução foi feita para o italiano, sendo autora do trabalho a escritora (italiana)
Nera de Paula Cidade Ponsiglione. Depois, elas se multiplicaram.

O Padre Manuel Albuquerque relacionou 43 traduções de seu conhecimento até o fim de 1972.
Traduções realizadas para 23 línguas diferentes, inclusive dialetos.
São as seguintes: em “Castelhano”, 8; em “Francês”, 5; em “Latim”, 5; em “Alemão”,
3; em “Polonês”, 3; em “Sérvio”, 2; e uma tradução para cada um dos idiomas: “Italiano”, “Inglês”,
“Romeno”, “Húngaro”, “Russo” (Ucrânia), “Lituano”, “Chinês” (Formosa), “Armênio”, “Árabe”,
“Luxemburguês”, “Neerlandês” ou “Holandês”, “Língua Geral” (ou Nheengatu),
“Tiluba”(a principal Língua do Antigo Congo Belga), “Idixe”
(ou o Hebraico Moderno, língua usada pelos Judeus de nossos dias),
“Esperanto”, “Eclético” (espécie de Esperanto), “Grego Moderno”.

Pe. Manuel Albuquerque - Nasceu, em 1906, no Amazonas, e faleceu, em 1977,
no Rio de Janeiro.
A forma definitiva do soneto, segundo afirmação do próprio autor,
em seu opúsculo “Prova Infalível”,
editado em 1964, sob os auspícios do Governo do Pará,
como homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, é a seguinte:
PROVA INFALÍVEL
Pe. Manuel Albuquerque
Quando eu soltar meu último suspiro;
quando o meu corpo se tornar gelado,
e o meu olhar se apresentar vidrado,
e quiserdes saber se inda respiro,

eis o melhor processo que eu sugiro:
— Não coloqueis o espelho decantado
cm frente ao meu nariz, mesmo encostado,
porque não falha a prova que eu prefiro:

— Fazei assim: — Por cima do meu peito.
do lado esquerdo, colocai a mão.
e procedei, seguros, deste jeito:

— Gritai “MARIA!” ao pé do meu ouvido,
e se não palpitar meu coração,
então é certo que eu terei morrido!
PRUEBA INFALIBLE ( Castelhano )
(Trad. de Luís O'Neill de Milan)
Cuando yo exhale el último suspiro
Y mi cuerpo esté rígido y helado,
Y el brillo de mis ojos apagado,
Si queréis comprobar si aún respiro,

Tomad sin falta este infalible giro:
- Olvidad el espejo decantado,
Porque su prueba nunca me ha inspirado
La confianza absoluta a que yo aspiro:

- Acercáos a mi izquierda, dulcemente,
Y actuad asi después, tan solamente,
La mano reposada a mi costado:

Gritad "MARIA!" cerca de mi oido...
- y si mi corazón sigue dormido,
Podréis saber que todo ha terminado...
INDUBIUM SIGNUM ( Em latim )
(Trad. de Aires de Montalbo)
Supremum diem mihi cum sit obeundum,
Dum corpus undis remeatur Lethis,
Oculis tandem tenebris repletis,
Si mortuum me, an tantum moribundum,

Scire pro certo denique voletis,
Ne speculum addatur acie mundum
Ori viacto, quo referat profundum
Ac ultimum spiramen... Sic agetis:

Ponite manum super latus laevum,
Ubi latitat cor - ah! - cor primaevum,
Et hic et nunc indubium signum adest:

Conclamate "MARIA!..." Sonu misso,
Tacito corde in pectoris abysso,
Mortem probate: - "CONSUMMATUM EST'
A poesia APELO, outra obra aplaudida pelo mundo, sendo esta a campeã em traduções
Seu autor, Eno Theodoro Wanke, engenheiro-poeta, nascido em Ponta Grossa (Paraná), em 1929,
é, talvez, literariamente, mais conhecido como trovador, laureado em inúmeros Jogos Florais.

No mundo da própria trova, revelado ensaísta, dedica-se, ainda, na pesquisa,
dando à estampa vários livros interessantíssimos e valiosos: “A Trova”, “A Trova Popular”,
“A Trova Literária” e “O Trovismo”.

Sem dúvida, porém, nenhuma obra desse autor teve maior repercussão do que o soneto “Apelo”,
produzido em 1964 e certamente o poema brasileiro mais traduzido para línguas estrangeiras.

A primeira tradução, que foi para o inglês, surgiu no mês de agosto de 1964,
e publicada na revista literária “Ajax”, de St. Louis, EUA.

Traduziu-o o poeta norte-americano C. Victor Stahl.

Pode-se classificar como surpreendente a carreira do soneto, “vertido para 101 línguas e dialetos diferentes,
com quase 200 traduções, sendo que só para a língua espanhola existem 18”.

Entre os dialetos, poderíamos destacar o “lorubá”, da Africa Negra, também conhecido no Brasil,
principalmente Bahia, e utilizado em cânticos de candomblé e de alguns terreiros de umbanda e quimbanda.

A idéia de Wanke foi inspirada na obra de sua própria autoria, “A Mancha Negra da Guerra”,
livro de sonetos pacifistas, publicado pouco antes, em princípio de 1964.

Trata-se de uma mensagem humana, “cuja meta é a fraternidade, pura e simples”.
Diz o poeta: — “Teremos de fazê-la nossa bandeira, nosso plano e nossa determinação.
Só assim poderemos cumprir nosso destino e dominar a Natureza, como Ele,
naquela manhã do sexto dia da Criação, o desejou”.

Malgrado os incentivadores e fazedores de guerras, é universal o anseio de paz.

E isto, mais uma vez, se confirma no fenômeno do “Apelo”,
cujos inúmeros tradutores pertencem a todas as raças e credos.

Aqui está o soneto original, e algumas das suas traduções:
APELO
Eno Theodoro Wanke
Eu venho das lições dos tempos idos,
e vejo a Guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem nada?
Será que não me prestarão ouvidos?

Eu vejo a Humanidade manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mister acabar com esta espada
suspensa sobre os lares oprimidos!

É preciso ganhar maturidade
no fomento da paz e da verdade,
na supressão do mal e da loucura. .

Que a estrutura econômica da guerra
se faça em pó! E reinem sobre a Terra
os frutos do trabalho e da fartura!
APPEAL ( Em inglês )
(Trad. de Helen Wohl Patterson)
I come from reading of the bygone years,
and see afar a War is being fought.
Can it be that good men are doing nought?
Can it be that they will nor lend their ears?

I see Humanity has now been brought
to fight the cause ol its corrupt compeers.
It is higt time this dread sword disappears, which hangs above the homes of the distraught.

'Tis time we gained mature sincerity
in spreading seeds of peace and verity,
and ending ills and madness we deplore..

Let economic structures feeding war
be turned to dust! On Earth reign evermore
the fruits of labor and prosperity!
CHIAMATO ( Em italiano )
(Trad. de Zelindo Ranieri)
Vengo dai fili di vecchi tempi e guardo,
E vedo Guerra all'orizonte armata.
Che fanno i buoni, se han dimenticata
La pace? O non ascoltan per riguardo?

Vedo l'Umanità tesa al codardo
Interesse corrotto' ed umiliata.
É d'uopo già finir con questa spata
Pendente sugli oppressi e grida il bardo!

É giusto guadagnar la maturezza
Nel fomento di pace e verità,
Nel sopprimerc il male e la stoltezza.

La struttura economica di guerra
Che si detenga! E regni sulla Terra
Il frutto deI lavoro e I'onestà!
*transcrito da wilkimedia