segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

DOCUMENTÁRIO SOBRE MUSEUS NO RN

republico matéria diário de Natal/poti - domingo 14/01/2012

História de Natal lacrada e abandonada


O projeto do Museu de Natal proporcionou curta viagem ao passado pelo natalense. Mais de 10 mil visitantes (registrados no livro de assinaturas) ainda conferiram o acervo de filmes, documentários e peças produzidos após minucioso e demorado trabalho de pesquisa realizada por um time de técnicos selecionados. A viagem durou menos de dois meses, no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte. A abrangência histórica resgata um período de 10,5 mil anos, desde os primeiros registros humanos em Natal até os dias atuais. Tudo parado, lacrado, abandonado.


Espaço foi fechado após dois meses da inauguração, em 2009. Foto:
O Museu foi aberto em 14 de novembro de 2009 e fechado em 3 de janeiro de 2010. O problema encontrado pela nova gestão municipal foi o elevador. "No processo licitatório especifica um tipo de elevador produzido apenas pela empresa OTIS, adequado ao lugar. A instalação desse elevador dura seis meses. Na pressa em inaugurar o Parque, foi instalado outro tipo de elevador, condenado pelo Tribunal de Contas do Estado por oferecer risco à população", disse o secretário adjunto daSemurb, Eugênio Bezerra.

Segundo o secretário, nova licitação foi feita e a empresa vencedora se recusou a comprar o elevador adequado em razão do aumento em mais de 50% do valor constado na planilha inicial do projeto, após dois anos de inaugurado o Parque. "Vamos, então, retirar o elevador de uma lista de mais de 600 ítens irregulares comprovados pelo TCE no espaço do Parque e abrir licitação específica para compra desse elevador". Eugênio Bezerra estima a publicação dessa licitação no Diário Oficial neste mês.

Enquanto isso, parte do acervo do Museu da Cidade está guardado no Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, também inaugurado na gestão de Carlos Eduardo. As estátuas dos três Reis Magos, painéis e acervo mais pesado permanece à mercê do tempo no Museu de Natal. O material foi produzido por Hélio Oliveira, Fátima Martins, Raimundo Arrais, Tiago Arrais e Marluce Lopes.


Entre Câmara Cascudo e Djalma Maranhão

Se Cascudo é o maior folclorista brasileiro, o ex-prefeito Djalma Maranhão pode se orgulhar da consideração natalense por um dos maiores incentivadores do folclore na cidade. Ambos dão nomes a museus. Ambos em realidades bem distintas no tempo-hoje. Se Cascudo lamentaria tanto tempo fora do alcance do público, Djalma Maranhão comemoraria um museu recém-reformado e sempre aberto à visitação de escolas interessadas em conhecer a riqueza da cultura popular do Rio Grande do Norte.

Reabertura do MCC está prevista para o segundo semestre de 2012.
Uma placa na entrada do Museu Câmara Cascudo atesta a primeira etapa de reforma do museu iniciada em janeiro e com duração prevista para 90 dias. No site do museu, a previsão era mais otimista: apenas 30 dias. Durou aproximados 300 dias. Esta seria a primeira grande reforma do Museu após 51 anos de existência. A primeira ficou orçada em R$ 415 mil. A segunda, em curso, em exatos R$ 656.323, executado pela empresa EJF Empreendimentos e Serviços LTDA, vencedora da licitação.

A segunda etapa do projeto prevê telhado inteiramente substituído, fachada frontal e lateral novas, estacionamento reformado e, no espaço hoje ocupado pelo auditório, serão construídas a sala de recepção e espaços para uma cafeteria e uma pequena loja para comercializar produtos relacionados ao Museu e à UFRN (gestora do Museu), além da mudança do piso cerâmico de toda a área de circulação.

Os atrativos culturais ao visitante só ficarão prontos após a conclusão da terceira e última etapa, responsável pela reforma e modernização das salas de exposições do Museu. O planejamento desta etapa começou em outubro, a partir da elaboração do projeto expográfico das exposições permanentes. Só após concluído estará apto a pleitear os recursos necessários à sua execução. "Infelizmente, a empresa vencedora da licitação não cumpriu com o prazo", lamentou a diretora Sônia Othon.

Previsão

Segundo a diretora, "possivelmente" em meados de 2012, com a conclusão das duas primeiras etapas, as coleções do acervo nas respectivas salas, serão recolocados, até a chegada dos recursos para realizar a terceira etapa. "Nesse momento terão que ser avaliadas as possibilidades de reformar as salas de exposição com o museu aberto ao publico ou fechá-lo novamente", disse.

O Museu Câmara Cascudo é uma unidade de preservação, conservação e divulgação das ciências naturais e antropológicas. Tem por finalidade o ensino, a pesquisa e a extensão universitária. Foi criado em 22 de novembro de 1960 como Instituto de Antropologia e se constituiu, então, no primeiro órgão de pesquisa da UFRN.

Um museu sem grandes novidades

Assim pode ser definida a situação de praticamente todos os museus da capital, que encontram-se fechados ou em reforma
Sérgio Vilar // sergiovilar.rn@dabr.com.br

O filme alemão Uma Cidade Sem Passado (1990) conta a história de uma lugarejo cujo apoio ao nazismo envergonha seus moradores, por isso, a tentativa de apagar a memória e fatos que incriminam pessoas influentes da cidade. Natal parece viver o mesmo drama. Apesar de ter abrigado simpatizantes famosos do nazi-fascismo, a relação é outra. É que os museus que deveriam contar a história da cidade estão praticamente fechados aos visitantes. E se os prédios históricos - remanescentes vivos do passado - estão em ruínas ou dão lugar a estacionamentos e estabelecimentos comerciais, os museus também parecem sentir vergonha da história da cidade.

Talvez o mais visitado, o Museu Câmara Cascudo fechou para reforma desde janeiro de 2011 e ainda se encontra na primeira etapa do projeto. O Museu Café Filho está em reforma desde março. O Museu de Natal, no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, fechou em janeiro de 2010 após dois meses de inaugurado. Resta praticamente o mais novo museu da cidade: o Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, inaugurado há cinco anos e que se volta mais às tradições culturais e menos à história propriamente dita da cidade, ao antigo, às raridades. "Um museu de grandes novidades", diria Cazuza.

A "salvação" a quem deseja conhecer o passado e a história natalense vem mesmo do divino. O Museu de Arte Sacra é quase o único, hoje, aberto à visitação. O espaço, anexo à Igreja do Galo (Centro Histórico), também carece de reforma. Mas aguarda a conclusão dos demais para configurar a salvação da lavoura. E enquanto estiver fechado, fará falta apenas a poucos estudantes e idosos. "Quem se interessa por arte religiosa é esse público: estudantes de disciplinas relacionadas à história da arte ou idosos, sempre mais interessados em religião", aponta a coordenadora do Museu, Lígia Maria Álvares.

O cupim presente nas vitrines ou carências nos revestimentos precisam esperar os recursos do poder público para reforma. A taxa simbólica de R$ 1,50 do museu é liberada justo aos dois públicos mais presentes: os idosos e estudantes. São eles os beneficiados pela contemplação de obras plásticas raras. Um exemplo é a tela de aproximados 12 m2, antes presente no teto da Igreja e hoje a peça mais rara do Museu. "Dizem ter sido pintada por Hostílio Dantas. Quando da reforma da cobertura da igreja, a tela precisou ser retirada e ficou difícil recolocar a peça", lembra Lígia.

Visionário

A necessidade de um museu de arte sacra para abrigar toda a riqueza do acervo potiguar foi lembrada por Cascudo duas décadas antes de sua inauguração, em 1989. E por lá o visitante encontra ainda rico manancial da imaginária do século 17 ao 20, além de pinturas, alfaias, mobiliário, ouriversaria e prataria utilizados no culto religioso. Também lampadário, patenas, oratórios de camarinha, santeiros e tudo acompanhado de informações e características da arte da época: maneirismo, barroco, rococó, período neoclássico e outras curiosidades.

Arte sacra limitada

Além do Museu de Arte Sacra, o Eremitério do Santo Lenho, no município de Macaíba, oferece acervo ainda mais pungente. Administrado há mais de cinco anos pelo cônego José Mário, o amplo espaço é semelhante a uma granja, muito arborizado e onde padres realizam retiros espirituais. Algumas peças do museu são consideradas das mais raras do mundo, a exemplo do véu que cobriu o rosto do papa João XXIII após sua morte ou o pó dos ossos de São Francisco de Assis. A importância cultural e histórica do lugar é reconhecida pelo Vaticano.

O Eremitério foi inaugurado em 21 de abril de 2000. Está localizado a 17 quilômetros de Natal, na estrada de Macaíba. Fica próximo à estação de Rádio Guarapes da Marinha. Mas ao contrário do Museu de Arte Sacra, o lugar - mantido pela Arquidiocese de Natal - só é aberto à visitação uma vez ao mês. O Museu guardião de mais de 900 peças sacras, entre relíquias e tesouros históricos relevantes à cultura religiosa mundial, se mantém acessível a poucos privilegiados por falta de apoio governamental em transformar o lugar aberto ao público e ao turismo religioso.

Café Filho espera nascer de novo

O prédio do Museu Café Filho nunca foi dos mais badalados e mal se percebeu tanto tempo fechado. Após anos ou décadas de abandono, finalmente recebeu a atenção merecida. Mas a burocracia também resolveu colaborar. E desde março a reforma completa de restauração da estrutura física e o projeto para nova exposição se arrastam a serviço das licitações públicas e dos pareceres do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) - órgão responsável pelo tombamento do prédio, em 1963.

Residência do único presidente potiguar: também fechada. Foto:
O museólogo Hélio Oliveira já apresentou à Fundação José Augusto o projeto para uma retomada conceitual na exposição. Segundo ele, será feita nova tipografia, revisão e informatização do acervo do Museu, e será criado um centro de documentação (com biblioteca, acervo fotográfico e hemeroteca) no segundo piso, dedicado à biografia de Café Filho. Nos jardins será feita exposição a respeito da memória do prédio, conhecido como Véu de Noiva, pelo formato, e construído por José Alexandre de Melo, em 1818.

A conclusão da obra estava prevista para o início de setembro, data da posse de Café Filho na presidência da República, em 1954. Hélio Oliveira recebeu no último outubro o parecer técnico do Iphan, dizendo o que pode e não pode ser reformado no prédio. O "processo é longo" e a nova previsão de reabertura, segundo Hélio de Oliveira, é no próximo mês de fevereiro, data de nascimento de Café Filho.

fonte: dnoline - muito