segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A EXPRESSÃO POÉTICA DE CIRO JOSÉ TAVARES - BRASILIA/DF






VERDES QUE SE FORAM


Como se fossem dois braços abertos alquebrados

as chaminés dos engenhos mortos testemunham

o eclipse do canavial, na palidez da palha nos espaços,

onde, no passado, verdes emergiam da névoa matutina

para dar vida ao vale, ao vir do sol e ventos brandos.

Verdes de outrora que foram consumidos nos ocasos

e nunca mais voltaram nos alvos berços das manhãs.

Verdes que pareciam suspensos nas estrelas quando

a luz de luas cheias adormeciam sobre eles,

que se misturavam ao louro dos cabelos de Ariadne,

a linda namorada com apenas quinze anos,

verdes que lembram a infância, ternuras de minha avó,

desaparecidos no aroma espargido na moagem,

da cristalina aguardente descendo pela garganta,

de cambiteiros cansados, de animais sonolentos.

Verdes eternos estão nas minhas retinas,

nos engenhos sepultados no fundo de tuas raízes.