quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

PROPOSTA DIFERENCIADA DO ENSINO MÉDIO NOTURNO DO RN





A Secretaria de Estado da Educação e da Cultura por meio da Subcoordenadoria de Ensino Médio – SUEM, chega até as escolas com estas orientações  que servirão para nortear a prática pedagógica dos que compõem a escola noturna do Rio Grande do Norte (portaria nº 1221/2009)
A presente cartilha além de se configurar com um guia prático, visa simplificar o que está posto nas Orientações Curriculares do Ensino Médio Noturno, ao mesmo tempo em que é considerada a referência da proposta nas escolas noturnas da rede estadual de educação.

ENSINO MÉDIO NOTURNO DIFERENCIADO – O QUE É...

 É uma proposta curricular com identidade própria, que contempla as especificidades do trabalhador estudante na  busca por uma educação que possibilite a permanência do estudante na escola, assim como o seu desenvolvimento e a sua formação para a vida e, para o trabalho. A proposta enfatiza a reformulação curricular para este turno de ensino, com foco nas peculiaridades dos estudantes do turno noturno, conforme previsto no Art. 4º, inciso VI da LDB nº 9.394/96 que assegura como dever do Estado a “oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando”.

ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

.  Blocos semestrais;
.  Carga horária do curso – 2.400h – 1.800h de atividades presenciais – Base Legal – obrigatória + 600h de atividades vivenciais ofertadas por meio de um projeto interdisciplinar.
.  Aula em bloco por área de conhecimento;
  02 tempos de 90 minutos correspondente a 04 aulas de 45 minutos (ex. 2 aulas de Biologia e 02 aulas de Química);
. Carga horária anual: 800 horas (200 dias x 3 horas = 600 horas presenciais + 200 horas de atividades complementares).
          Formação continuada para os professores;
.  Desenvolvimento de projeto interdisciplinar para Mostra Científica ao final de cada semestre.








 
As Orientações Curriculares para o Ensino Médio Noturno Diferenciado (EMND) tem a pesquisa como princípio pedagógico com ênfase na iniciação científica e pesquisa, na leitura, no letramento e na cultura digital de forma articulada, além de incluir a interdisciplinaridade e a contextualização como possibilidades para integrar as áreas de conhecimento, e, assim, promover o ensino-aprendizagem dos educandos. Esta interrelação deve considerar o planejamento pedagógico com as perspectivas de forma a integrar os professores em cada bloco e áreas de conhecimento, e, também ter neste currículo o trabalho como princípio educativo articulando-se as atividades propostas. A oferta das atividades e aulas complementares/integradoras, desenvolvidos em momentos vivenciais deve estimular a responsabilidade, o senso crítico e autonomia do estudante, destacando que, toda ação metodológica desenvolvida na escola deve ter como princípio básico o diagnóstico do perfil do trabalhador estudante para com isso, superar desafios e garantir a produção do conhecimento e  transformação social.

  
OBJETIVOS


 Geral      
.    Possibilitar a qualidade do processo de ensino e de aprendizagem, a partir de um currículo com identidade própria com ênfase nas especificidades dos estudantes desse turno de ensino.
Objetivos Específicos
.    Desenvolver metodologias que atendam as especificidades do trabalhador estudante;
 .    diminuir os índices de abandono, de evasão e de repetência;
  promover atividades motivadoras de forma que os sujeitos envolvidos no processo possam compartilhar os seus saberes (gestores, professores, funcionários, estudantes, pais, mães e/ou responsáveis) a fim de que aconteça um trabalho compartilhado;
.    monitorar e avaliar as práticas desenvolvidas nos processos de ensino-aprendizagem;
.    viabilizar espaço e tempo para a realização de um planejamento coletivo de forma que garanta a formação na escola.


METAS


Com vistas a melhorar a qualidade do ensino-aprendizagem na escola noturna, foram estabelecidas as seguintes metas:

.  fortalecer o ensino noturno com a visão do mundo do trabalho;
.   reduzir a evasão, o abandono e a reprovação no Ensino Médio noturno;
;  elevar os índices de aprovação no Ensino Médio noturno;
;  elevar os indicadores estaduais (IDEB), como forma de possibilitar o processo de ensino-aprendizagem;
;  melhorar as condições de permanência do aluno na escola;
;  adaptar o currículo à realidade do aluno noturno, considerando todas as ações do Projeto Pedagógico/PP;
;  possibilitar formação continuada aos professores.

A ORGANIZAÇÃO SEMESTRAL
  A proposta piloto pensada e estruturada de comum acordo entre SEEC e as primeiras onze escolas que aderiram à proposta, foi organizada para ser semestral, visto que o sistema utilizado, o seriado, não correspondia a nova realidade que se desejava para esse turno noturno, já que o foco deveria ser no processo de ensino aprendizagem dos estudantes.
  A concepção assumida de currículo neste documento tenta superar a ideia de currículo rígido atrelado a visão de conteúdos abordados de forma fragmentar.
  Ao instrumentalizar a proposta percebeu-se êxito, uma vez que a organização semestral por bloco aumenta o tempo de convívio entre aluno e professor, possibilitando assim, um melhor acompanhamento no processo de ensino aprendizagem.

ORIENTAÇÕES GERAIS SOBRE A DISCIPLINA FORMAÇÃO PARA O TRABALHO

O Ensino Médio tem como Eixo Estruturante, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (2012), quatro dimensões: trabalho, ciência, cultura e tecnologia. Nesse documento, o trabalho é compreendido como Princípio Educativo e atividade intelectual, bem como, um processo histórico de produção científica e tecnológica. Assim, o objetivo é propiciar ações desenvolvidas socialmente para transformação das condições naturais da vida e a ampliação das habilidades gerais e competências básicas que tributem para a formação integral dos estudantes e o seu desenvolvimento, de forma que possa atuar na sociedade com êxito.
Nesse sentido, torna-se relevante organizar o currículo que incorpore um componente curricular que possa se articular com os demais que são constitutivos da Estrutura Curricular desse nível de ensino. Assim, emerge o componente curricular Formação para o Trabalho, no currículo do Ensino Médio Noturno, com o objetivo de formar o estudante para o exercício da ética e da cidadania, bem como para o desenvolvimento da autonomia, da criticidade, da tomada de decisão de sucesso, do empreendedorismo, da criatividade para sua imersão no mercado de trabalho, sem, contudo, esquecer da importância da informação transformada em conhecimento, da comunicação e da tecnologia como categorias constitutivas no processo ensino aprendizagem.

Por ser configurada como disciplina, a Formação para o Trabalho, poderá ser desenvolvida com temáticas que busquem envolver o estudante trabalhador não somente no mundo do trabalho, mas também no universo da cidadania. As temáticas sugeridas são:

* Trabalho, ética e cidadania.
* Trabalho, comunicação e tecnologia.
* Trabalho e mercado.
* Trabalho e empreendedorismo.

A disciplina corresponde a duas (2) aulas semanais, presente nos dois blocos. A priori, a disciplina deverá ser ministrada por professores licenciados em Filosofia e Sociologia.

TRABALHO, ÉTICA E CIDADANIA

Contextualização Histórica da Ética Ocidental; Ética na antiguidade, no Período Medieval, na Idade Moderna; Ética e Contemporaneidade; Ética Empresarial e Ética Profissional; Cidadania, sua origem, e sua  relação com o Mundo do Trabalho; Trabalho e Direitos Sociais.

Referências
 ARROYO, Miguel. BUFFA, Ester. NOSELLA, Paolo. Educação e Cidadania: quem educa o cidadão? 10ª ed. SP: Cortez, 2002. ISBN: 85-249-0094-6.
 LOMBARDE, José Claudinei. Ética e educação: Reflexões Filosóficas e Históricas. São Paulo: Editores Associados, 2006.
 PINSKY, JAIME. Cidadania E Educação. São Paulo: Contexto.

TRABALHO, COMUNICAÇÃO E TECNOLOGIA

Concepções de Trabalho; Meios de Comunicação: conceitos fundamentais; Mídia e Trabalho: a relevância do histórico, a situação atual e as perspectivas; Tendências relacionadas à tecnologia atual: o antes e o agora, a era do computador; Internet na Sociedade Contemporânea e na Escola.
Referências;
 BELONI, Maria Luiza. O que é Mídia-Educação. São Paulo: Ed. Autores Associados, 2005.
 LÉVI, Pierre. As Tecnologias da Inteligência. Rio de Janeiro: Editora 34, 2004.
 OROFINO, Maria Isabel. Mídias e Mediação Escolar. São Paulo, Cortez, 2005. ISBN: 85-249-        1149-2
CHAVES, O. C. Eduardo. Multimídia: Conceituação. Aplicações e Tecnologia. Campinas, 1991. Disponível: http://www.chaves.com.br/TEXTSELF/MULTIMED/mm0.htm
FRANCO, S.R. Informática na Educação. Rio Grande do Sul, Ed. UFRGS, 2004. ISBN: 978-85-725-765-9
GIANOLLA, Raquel. Informática na Educação: representações Sociais do Cotidiano. 3ºed. São Paulo Cortez, 2006. ISBN: 85-249-1212-X
PAIS, L. C. Educação Escolar e as Tecnologias da Informática. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. ISBN: 85-7526-068-5.
TAJRA, Sanmya Feitosa. Informática na Educação. São Paulo: Ed. Erica, 2000.
TRABALHO E MERCADO
Trabalho e Mercado: perspectiva histórica; As exigências do Mundo do Trabalho e a Escola; A globalização: emprego e desemprego.
Referências
ABRANTES, Jose. Gestão de Qualidade. SP, Ed. InterCiência, 2009.
OLIVEIRA, Dalila Andrade (Org.). Gestão Democrática da Educação. 6 ed. R J, Vozes, 2005.
PARO, Vitor Henrique. Gestão escolar, democracia e qualidade de ensino. SP, Ática, 2007
ALBORNOZ, Suzana. O que é trabalho. São Paulo: Brasiliense, 2004. (Coleção Primeiros     Passos;171)
 ANGOTTI, Maristela. O Trabalho Docente na Pré-escola: Revisitando Teorias, Descortinando Práticas. 2. ed. :Pioneira Thomson Learning, 2002. 185p.
SAVIANI, Demerval. O trabalho como princípio educativo frente às novas tecnologias. In: FERRETI, Celso João [e.al]. Novas tecnologias, trabalho e educação: um debate multidisciplinar. 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
BEGNATO, Maria Helena. Educação, Saúde e Trabalho. Campinas: Alínea, 1999.
LUCK, Heloísa. A Escola Participativa: O trabalho do gestor escolar. 6. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2009. 159p.
TRABALHO E EMPREENDEDORISMO
Trabalho e Empreendedorismo: conceitos, suas características e função para o desenvolvimento na sociedade e nas organizações de trabalho; Formas de atuação de um empreendedor; O empreendedorismo e a Escola.
Referências
DOLABELA, Fernando.  Pedagogia Empreendedora São Paulo: Editora Cultura, 2003.
Empreendedorismo uma forma de ser. São Paulo: Editora Cultura, 2002.
.HISRICH, Robert D. PETERS Michael P.Empreendedorismo.Porto Alegre:Bookman, 2004.

outras informações: 
suem@rn.gov.br